domingo, 13 de julho de 2008

Estômago


Eu sou fã de cinema brasileiro. Acho que a gente deve valorizar aquilo que temos, principalmente agora que os filmes brasileiros estão se sobressaindo com seus roteiros bem elaborados, direção maravilhosa... entre outros aspectos.

Começamos concorrendo a Oscar com o Central do Brasil. Ótimo filme, mas estava competindo com A Vida é Bela. Filme fora do comum.
Agora pouco ganhamos o Urso de Ouro com o Tropa de Elite. É um filme forte, marcante, mas retrata a realidade, e não tem como a gente fugir dela. Os atores escolhidos, como Wagner Moura assumiram o papel, e fizeram bonito nas salas de cinema.

Em cartaz ultimamente, Estômago. Não muito divulgado, e está em poucas salas, pelo menos aqui em Porto Alegre.
Fui assistir não esperando muita coisa, pois achei a sinopse um pouco fraquinha. Mas não se deve colocar a carroça na frente dos bois, não é?!?


Maravilhada foi a minha reação quando terminei de assistir ao filme. Divertidíssimo, conseguiu arrancar altas gargalhadas de mim e da platéia. Raimundo Nonato (Cinema, Aspirinas e Urubus), que é o protagonista, é um paraibense, que não tem onde cair morto e descobre que tem um dom para a cozinha. A trama tem dois focos. Um se passa com Raimundo trabalhando num restaurante italiano e outro com Raimundo na prisão, cozinhando para os seus colegas de cela. Até então, a gente não consegue distinguir direito qual foco é futuro e qual é passado ou presente. Mas no meio para o final, tudo já vai se encaixando.

Por ser uma comédia, quem assistiu, com certeza deve ter se surpreendido com o final irreverente do tão “santo” e “inocente” Raimundo Nonato.

As Viagens de Lynch




Quem vê pela primeira vez um filme de David Lynch fica bastante perdido na trama, pois seus filmes são desconctados, com coisas reais e irreais, sem um final fechado. Às vezes, o filme acaba e a gente fica “pasmo” por não ter entendido absolutamente nada. O cérebro fica tentando ligar uma cena a outra, mas é complicado e complexo, pois elas são “soltas” no filme.


Tá certo que tem alguns filmes que já se consegue tirar alguma conclusão e reflexão, como Cidade dos Sonhos. O filme em si é um pouco confuso, mas levando pro lado de que a maioria das cenas faz parte de um sonho, daí sim, consegue-se entender alguma coisa.



Outro filme parecidíssimo com Cidade dos Sonhos é Império dos Sonhos. Não é por nada que os nomes são bem perecidos. A história do filme também é muito semelhante. Uma atriz que participa de um filme, e que possui um mistério, que nem ela sabe direito qual é. A confusão da trama também faz uma salada de fruta na cabeça de quem está assistindo. É mais misturado, mais desestruturado do que Cidade dos Sonhos, e tem momentos de muito silêncio e escuridão. Nesses momentos, a ansiedade do espectador ainda é maior, porque não se sabe o que vai acontecer. Daí, de repente, ouve-se um barulho tremendo e agudo, e o reflexo com certeza é pular da cadeira. Pelos momentos lentos e silenciosos, o sono provavelmente irá vir, mas Lynch não deixa isso se completar, pois os sustos feitos com som, fazem qualquer um acordar rapidinho. Talvez essa tivesse sido mesmo a intenção desse diretor arrojado.

Quem nunca viu um filme de Lynch, vale a pena. Eles não tem gênero específico, como “suspense”, “drama”, “terror”... Eles são marcados mesmo pela característica principal, que quando alguém que entende de cinema, olha o filme e diz: “Esse filme só poder ser do Lynch”. Essa é a característica: o Diretor. É o estilo. Lynch deixa bem claro em seus filmes o seu estilo. Assim como Kubrick deixa explicito o seu.
Os filmes são complexos, confusos. Mas, no meu gosto são o que mais apavoram. Não sei, mas fico com mais medo de coisas inesperadas, fora do comum. Pra quem gosta de um estilo assim... Lynch é uma boa opção.


Juno





Bom, uma comédia um pouco dramática, envolvendo um romance e uma garota grávida aos 16 anos. É divertida, envolve um tema bastante atual, e conseguiu ganhar Oscar de Melhor Roteiro Original de 2008. O roteiro é de uma ex-stripper, Diablo Cody.
A atriz que interpreta Juno (Ellen Page), está muito bem nesse filme. Melhorou muito desde sua interpretação em Menina má. com , que foi péssimo. Neste, ela está bem envolvida com a trama, e o estilo de Juno coube como uma luva na atriz.


Não posso deixar de comentar aqui a animação de abertura do filme. Muito legal, criativa e se encaixou perfeitamente com a trilha sonora. Aquela passagem de animação para filme, quando ela entra no mercado, muito bom. Gostei tanto da trilha sonora, que cheguei a baixá-la da internet. É suave, divertida, embalada.
Direção de arte também se puxou com os cenários coloridos. As imagens com cores vivas e fortes. Fotografia gostosa de apreciar.
Claro, a história do filme não é lá essas coisas, não é digno de ganhar Oscar de Melhor Filme, mas é muito delicioso de assistir.



quarta-feira, 25 de junho de 2008

Across The Universe

Há pouco saiu das salas de cinema o musical Across The Universe, inteiramente com músicas dos Beatles. O filme é rechado de cenas encantadoras, uma fotografia divina, com cores fortes e imagens computadorizadas. As cores vívidas marcam bem o que se quer mostrar no filme: a época Hippie.
Dirigido por Julie Taymor, já premiada com obras como Frida e a adaptação do Rei Leão para a Broadway. Ela que viveu sua adolescência em meio aos tumultos da Guerra do Vietnã com o Movimento Hippie, conseguiu retratar momentos importantes da época, sendo o pano de fundo para a história de amor de um garoto de Liverpool, Jude (interpretado por Jim Sturgess) com uma estadunidense chamada Lucy (Evan Rachel Wood).



Em torno dessa história, outros personages aparecem, como o irmão de Lucy, Max (Joe Anderson). Morando em NY, conhecem uma cantora, Sadie (Dana Fuchs), o músico Jo-Jo (Martin Luther McCoy) e Prudence (T.V. Carpio).
Durante a trama, cada um tem pelo menos um solo com alguma música do quarteto de Liverpool.
O filme conta com a participação de Bono, Joe Cocker, Salma Hayek e do comediante Eddie Izzard.

Apesar do filme ter um trama simples e ingênuo, se encaixa muito bem na época que se passa. E nada mais criativo do que contar uma história de amor com as letras dos garotos simpáticos e brincalhões da década de 60-70.



Jornada da Alma


Outro filme que vale a pena comentar é Jornada da Alma. Pra quem gosta de filmes que contam um pouco da história, esse é ótimo.

Conta a história de Sabina Spielrein, uma paciente de Jung (sucessor de Freud). Em 1904, ela é levada ao Hospital Psiquiátrico por seus pais e lá é tratada por Jung, com um novo método. É a primeira vez que Jung experimenta um método da Freud (associação livre de palavras- em que ele ia falando palavras para a paciente, e esta ia falando a primeira palavra que vinha na cabeça. O psiquiatra iria anotando o tempo de reação com relação a palavra e o que ela provocava).

Sabina foi diagnosticada como tendo Histeria. E para Jung, tratá-la implicava um reconhecimento profissional, assim como superar os tratamentos desumanos (como o choque elétrico) feitos a época.


O interessante de perceber é que Jung só conseguiu se aproximar de Sabina, quando a escutou enquanto ela falava de Marte, e teve um diálogo com ela, sem mostrar pra ela que ela era "louca". Ele "entrou no mundo dela", dessa forma, teve a aproximação.
Aí que vem o problema. Essa aproximação foi além da conta. Ele já não conseguia mais controlar seu interesse por ela, e ela o mesmo.
E assim, se criou uma história de amor, que poderia destruir a carreira dele e sua vida.

O filme conta a história de Sabina e aborda o tema ética profissional.
A trama envolve momentos atuais (uma mulher pesquisando sobre Sabina) e momentos do passado, contando a história de Jung e Sabina.